Publicado por: Nuno Gouveia | Novembro 6, 2008

Digital’08

obama_site

Esta foi a campanha mais High Tech de sempre. As primeiras eleições do século XXI. Não falo apenas da forma como os candidatos utilizaram as novas tecnologias, mas também como as pessoas acompanharam estas eleições na Internet. Não vou escrever muito, mas deixarei umas breves impressões sobre este tema.

No outro post coloquei algumas marcas Web, bem como o site Obama como outros vencedores destas eleições. O que me parece de inteira justiça.

A campanha de Barack Obama utilizou as novas tecnologias como nenhum outro político o tinha feito. O primeiro sinal da força do movimento criado por Obama veio da Internet. Com a vantagem que ia ganhando nos blogues, nas redes sociais virtuais e no YouTube (recordo a Obama Girl e Yes We Can), Obama definiu o seu publico-alvo prioritário, que foi decisivo para a sua vitória nas primárias. Se nos últimos meses desta campanha, o agora Presidente eleito era já o todo poderoso dono da máquina do Partido Democrata, há um ano era apenas um inexperiente Senador do Illinois, com dinheiro angariado nos círculos liberais e  das celebridades, que desafiava a frontrunner democrata Hillary Clinton. Estava bastante atrás nas sondagens, e poucas pessoas lhe davam possibilidades de sucesso. Mas foi criando um verdadeiro exército de apoiantes, muitos deles pela primeira vez envolvidos na política. Estes foram decisivos nas importantes vitórias do caucus do Iowa, e depois, em todos os caucuses da Superterça-feira. O resto é história, e Obama conseguiu transformar os milhões de apoiantes angariados na Internet, na mais fabulosa máquina de angariação de dinheiro da política americana, e mais do que isso, uma equipa de voluntários que foi fundamental para a vitória nos battleground states. Todo o mérito para a sua estratégia de campanha, que assentava numa mensagem poderosa de mudança, aliada à utilização das novas tecnologias para informar, promover, mobilizar e conectar com os eleitores.

A cobertura digital

Nesta área, gostava de destacar algumas “marcas” digitais que se emergiram como gigantes do mundo da comunicação política à escala global. Se há um ano atrás, eram poucos os que em Portugal conheciam nomes como Politico, Real Clear Politics ou Huffington Posthoje são muito famosos, e muitas vezes citados nos jornais portugueses.

Destaco também o trabalho fabuloso dos grandes meios de comunicação tradicionais americanos na Internet. Porque perceberam que não poderiam ficar para trás nas ofertas online, não só pelas marcas digitais citadas, como também pelo trabalho de bloggers amadores, que nos Estados Unidos muitos deles caminham para o profissionalismo.

Em primeiro lugar, todos eles criaram blogues especiais para seguir esta campanha eleitoral. E com muita antecedência, não apenas para cobrir a recta final da campanha. Exemplos houve muitos, mas destaco o Political Ticker, da CNN, The Trail, do Washington Post, Political Intelligence do Boston Globe, First Read, da MSNBC ou The Caucus, do New York Times. Todos os meios de comunicação social americanos tinham blogues de acompanhamento destas eleições. Eram os espaços mais eficazes para seguir as incidências diárias, porque eram instantâneos e constantemente actualizados.

Alguns meios de comunicação optaram mesmo por ter bloggers contratados para escreverem especificamente sobre a campanha. Exemplos de Chris Cilliza, do Washinton Post ou Jonathan Martin e Ben Smith do Politico (muitos bons exemplos online aqui).

Mas também souberam cobrir esta campanha de uma forma completamente autónoma online, separados do papel ou da televisão. A CNN, por exemplo, transmitia em directo no seu site quase todos os comícios dos candidatos, e nas noites das eleições das primárias, tinha uma emissão diferente para a Internet. O New York Times tinha um espaço específico para reportagens em vídeo, um complemento à oferta do jornal, por exemplo. Há muitos exemplos destes, mas os media americanos deram uma lição ao mundo como se trabalha a sério na Internet. Para bem das marcas e dos leitores.

Caso português

Este não era o nosso “campeonato”. Mas talvez pelo interesse mediático suscitado, talvez fosse possível fazer melhor ao nível da Internet. Quase todos os espaços dedicados às eleições nos EUA apenas foram criados na fase final da campanha, e os que não o foram nem sempre estavam actualizados. Na Internet, a ausência de actualizações é a morte. Talvez possam reflectir para o futuro, e apostem decisivamente nesta área.

Destaco o trabalho do Portugal Diário. Em primeiro lugar porque foi o único órgão de comunicação social português que fez directa na noite Superterça-feira, e depois pelo trabalho realizado a 4 de Novembro, com convidados na redacção e emissão em directo em streaming. Além do acompanhamento ao minuto das incidências da noite eleitoral. Para mim, isto é jornalismo online.

Para o ano temos três eleições, e espero que copiem alguns dos muitos bons exemplos que nos chegaram dos Estados Unidos neste ciclo eleitoral. Não é preciso inovar sequer.

(Sobre a cobertura portuguesa, aconselho a leitura deste post Blogs, Media, Eleições e Eu, de Miguel Albano, no blogue (It’s) Not About You, da Lift)


Responses

  1. Amigo Nuno.

    http://www.change.gov (ñ construído ainda)
    As pessoas ainda irão ouvir falar muito deste site, ele e sua equipe acreditam que o sucesso sem prescedentes no uso da internet deverá proseguir agora. Penso até que sua visitação será tão corriqueira quanto o uso do google, ainda não está no ar mas acho até que servirá como ferramenta de integração não só nos EUA mas também no mundo.

    Abraço à todos!

  2. Essa aqui é para o RÔMULO:

    http://blog.estadao.com.br/blog/padiglione/

  3. Caro Nuno,

    Parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido ao longo de mais de um ano!

    Um abraço.

  4. Caso o Blog Star Wars cobertura CNN ande, vai origem:

    http://edition.cnn.com/video/#/video/politics/2008/11/04/blitzer.yellin.hologram.obama.cnn?iref=videosearch

  5. Caríssimos:

    Alguém me sabe dizer quem é que escreveu o discurso da no0ite de vitória a Obama? Ou foi ele mesmo?

    Necessito de saber, para responder a uma questão que me foi colocada, e não sei onde procurar.

    Miguel Direito

  6. Meu caro,

    Não sei se terá sido Obama. Quase nunca é o próprio a escrever. Jon Favreau é o chief speechwriter de Obama.

  7. Obrigado

  8. Amei a vitoria de Obama,um homem integro,um homem de garra e fibra. Viva Obama .Tenho certeza que vai governar este pais com mta seguranca ,junto da familia que o apoiou todo tempo.Deus te deu mtas forcas p esta vitoria e sei que vai saber honrra las brilhantemente.

  9. Quem escreve os discursos de Obama é uma equipa liderada por Jon Favreau e que integra Adam Frankel, Ted Sorensen, Ben Rhodes, Sarah Hurwitz, David Axelrod, Jacob Rigg.

    Como foi muito badalado Wendy Button (que diz ter escrito o discurso de Obama no Capitólio de Springfield, nolançamento da candidatura)~mudou-se em Outubro para a campanha de John Mccain.

    Diz a lenda que o discurso de Obama na convenção de 2004 foi escrito por ele próprio.

    Vale a pena revê-lo.


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