Publicado por: Nuno Gouveia | Dezembro 27, 2008

2012 já mexe

Já começou o frenesim sobre as eleições presidenciais de 2012. Barack Obama ainda não tomou posse, mas do lado republicano já se assiste a muita discussão.

Sobre o lado democrata, salvo um mandato desastroso de Obama, o que me parece quase inverosímil, o candidato deverá voltar a ser o presidente eleito. Na história recente foram poucas as vezes que presidentes foram desafiados internamente nas primárias. Recordo-me de Pat Buchanan ter-se candidatado contra George H. Bush em 1992 (mas Buchanan era mais um outsider do GOP) e em 1980, quando Ted Kennedy desafiou Jimmy Carter, um presidente bastante impopular. Curiosamente ambos os incumbentes acabariam por perder as eleições. Em 1968, Lyndon B. Johnson foi desafiado por Eugene Mccarthy e pelo malogrado Robert F. Kennedy, que viria a ser assassinado após ter vencido as primárias da Califórnia. Mas LBJ desistiu da recandidatura em Março, e o candidato do Partido Democrata acabaria por ser o Vice-presidente Hubert Humphrey.  Portanto, do lado democrata em 2012 deveremos ter Barack Obama. Por aqui não haverá especulações.

Do lado republicano, iremos assistir a muita discussão. Mas tudo irá depender da forma como correr o mandato de Obama. Se os seus níveis de popularidade se conservarem elevados no final das midterms de 2010, é provável que algumas figuras de primeira linha não se candidatem. Se Obama estiver em dificuldades na opinião pública, então a corrida terá todos os pesos pesados do GOP. Vou discorrer um pouco sobre as duas possibilidades.

Obama mantém os níveis de popularidade elevados

Neste caso, acredito que algumas figuras relevantes prefiram assistir no conforto das suas posições. Será uma eleição muito difícil para os republicanos, que terão poucas hipóteses de conquistar a Casa Branca. Poderá servir de trampolim para certos republicanos com menor destaque na arena nacional. Estou a lembrar-me de Tim Pawlenty do Minnesota, Mitch Daniels do Indiana, Jon Huntsman do Utah ou Mark Sanford, da Carolina do Sul, por exemplo. Ou Eric Cantor, o congressista da Virgínia ou do Senador John Thune do Dakota do Sul. Sarah Palin, Mitt Romney ou Mike Huckabee, que ganharam projecção nacional em 2008 poderão voltar a tentar a sua vez. Os dois últimos estão já em campanha desde o final das primárias, e parece-me que deverão ser mesmo candidatos, independentemente da conjectura eleitoral. O futuro do GOP passará uma discussão ideológica, que poderá ser travada já em 2012 ou adiada para 2016. Mas a verdade é que o Partido está a ficar confinado ao Sul e ao interior dos Estados Unidos. Newt Gingrich poderá estar também ele interessado em concorrer, não para ganhar, mas para doutrinar o partido novamente, como o fez em 1994, com “Contract with America”.

Obama passa por dificuldades no seu mandato

O Político questiona-se sobre o interesse ou não de Bobby Jindal candidatar-se nas próximas eleições. Bobby Jindal é uma das grandes esperanças para o futuro do partido, até pelo que representa: é conservador, jovem e faz parte da nova América multicultural. O artigo do Político, que refere que Jindal poderá esperar por 2016, o que também se pode aplicar a Charlie Crist, governador da Florida ou até mesmo a Sarah Palin, governadora do Alaska. Mas se Obama estiver em dificuldades, é de esperar uma corrida louca no Grand Old Party. Neste cenário, todos tentariam a sua possibilidade para tentar derrubar Obama. E aí parece-me que as elites do Partido Republicano iriam apostar em alguém com fortes possibilidades de vencer a Casa Branca. E por isso não acredito seriamente nas possibilidades de Sarah Palin ou Mike Huckabee, que não conseguem apelar territórios onde os republicanos têm perdido influência. Jeb Bush, que poderá ser eleito Senador em 2012 seria outro nome que agradaria aos sectores moderados e influentes, mas sendo ele da família Bush, não me parece que tenhas reais hipóteses de entrar nesta arena. Outro nome que tem sido aventado em certos círculos é o do General David Petraeus, herói da guerra do Iraque. Rudy Giuliani poderá ser tentado a tentar de novo, depois da catastrófica candidatura deste ano.

Muito haverá para falar, e poderá emergir uma nova estrela no GOP, tal como sucedeu com Obama no lado democrata. Mas a maioria dos candidatos republicanos deverá sair deste lote de nomes que referi.


Responses

  1. Parece-me certa a candidatura de Ron Paul em 2012. E num cenário com um Obama popular e estável nas sondagens, julgo que, na ausência dos pesos pesados do GOP, poderá fazer uma surpresa ainda maior do que em 2008.

  2. Ron Paul terá 77 anos em 2012. Será difícil voltar a candidatar-se. A melhor hipótese para o movimento libertário do Partido Republicano será arranjar uma figura mais jovem para liderar esta facção e ganhar influência na vida do partido.


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