Publicado por: Nuno Gouveia | Dezembro 29, 2008

Personalidade do ano – A democracia americana

Se houve acontecimento que encheu capas de jornais, páginas de revistas, noticiários das televisões, programas de debate ou posts de blogues, foi as eleições presidenciais americanas de 2008. Esta campanha eleitoral foi o facto que ocupou mais espaço na agenda mediática mundial, e daí a minha opção.

A democracia americana foi a grande vencedora do ano, com um longo e participado processo eleitoral, que culminou com a eleição de Barack Obama. Mais uma vez o povo americano foi exemplar no momento de escolher os seus líderes, dando ao mundo uma prova da sua vitalidade. A minha escolha poderia recair no presidente eleito, personificando nele o grande ano eleitoral que vivemos. Mas prefiro destacar a democracia americana, pois só ela permitiria a um quase desconhecido e inexperiente senador negro chegar à presidência. E presto o meu tributo a todos os que engradeceram estas eleições: candidatos, eleitores, apoiantes e media.

Desde os caucuses do Iowa até às primárias do Indiana e Carolina do Norte, o mundo esteve em suspenso para conhecer o nome do candidato democrata. Devido ao contexto desfavorável para os republicanos, supunha-se que o vencedor do lado democrata seria o próximo presidente dos EUA. E as previsões não estavam erradas, apesar do fabuloso candidato que o Partido Republicano apresentou.

Se há um ano acreditava que seria Rudy Giuliani a defrontar Hillary Clinton, os eleitores americanos decidiram de outra forma. De um lado Obama, que emergiu como o candidato anti-guerra, mas que acabou por ser agraciado pelos sectores moderados e até mesmo por alguns republicanos. Do outro Mccain, o inimigo da direita conservadora, e que tantos problemas lhe deu no passado, mas que acabou por ter o seu apoio devido à escolha de Sarah Palin para sua parceira no ticket.

Obama derrotou sucessivamente Hillary Clinton e John Mccain, que também podem ser apreciados como vitoriosos, mas não da forma como desejavam. Clinton aspirava ser a primeira mulher Presidente dos Estados Unidos, mas acabou com o prémio de Secretária de Estado. Será a voz mais influente da política externa americana nos próximos anos. Mccain foi finalmente a votos numas eleições presidenciais, oito anos depois de ter sido derrotado por George W. Bush nas primárias. Não tivesse a crise rebentado em Setembro, e talvez Mccain tivesse obtido um justo prémio pela carreira política impressionante ao serviço do seu país. Mas fez uma campanha honrada, e dignificou a vitória de Obama.

Um afro-americano na Casa Branca seria sempre um facto a festejar por qualquer democrata. Mas Obama não se limitou a fazer história por isso. Conseguiu inspirar milhões de americanos a envolverem-se no processo político, derrotando o establishment do seu partido, realizando uma campanha assente nas novas tecnologias. Esta é já uma nova forma de fazer política, e que está a fazer escola no mundo. Por fim, e depois de eleito, Obama não seguiu as directrizes dos sectores radicais (que o apoiaram desde o inicio), e convidou políticos moderados, centristas e até alguns republicanos para o seu governo, respondendo desta forma aos anseios dos swing voters, os que realmente lhe deram a vitória a 4 de Novembro.

Foram muitos os momentos inesquecíveis, desde a vitória de Obama nos caucuses do Iowa, a resposta de Hillary no New Hampshire, os triunfos de Mccain no New Hampshire, Carolina do Sul e Florida ou as conquistas sucessivas de Obama durante o mês de Fevereiro, e que seriam fundamentais para a sua nomeação. As polémicas, como o bittergate ou o reverendo Wright, a emergência de Sarah Palin como figura nacional, o discurso de aceitação de Obama em Denver perante 80 mil pessoas ou a convenção de Minneapolis (esta faz também parte da minha história pessoal) são factos marcantes do ano que termina na quarta-feira. Curiosamente, os debates presidenciais foram dos momentos mais “mortos” desta campanha, apesar de ter havido mais de 40 entre os candidatos desde 2007.

Os new media foram outros dos vitoriosos desta campanha. Desde as redes sociais que se imiscuíram no processo político, como o Facebook, o YouTube (que até promoveu debates) ou o MySpace, os novos sites informativos que ganharam uma dimensão mundial, como o Político ou o Real Clear Politics, os sites ideológicos, como o Huffington Post ou o Townhall, todos estes foram determinantes para a forma como os cidadãos americanos, e não só, seguiram esta campanha.

Muito mais haveria para escrever sobre esta campanha fabulosa. O mais significativo é que, ao contrário dos mensageiros cadavéricos que fomos lendo e ouvindo ao longo dos últimos anos, a democracia americana está bem e recomenda-se.


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