Há uns meses, Barack Obama era considerado como o mais independente democrata, que seria capaz de roubar muitos votos republicanos e independentes. Os “Obamacans” eram um das imagens de marca desta candidatura, que entusiasmou a América e o mundo. Apesar de continuar a ser o favorito à nomeação, e consequentemente, a vencer as eleições de Novembro, Obama tem cometido pequenos pecados que podem vir a prejudicá-lo.
Concordo com o comentário de José Gomes André quando diz que uma campanha presidencial é extremamente longa, e o debate centra-se, na maior parte das vezes, em não-assuntos. Estas polémicas são exploradas pelos media e pelos adversários, porque não há muito mais para dizer. Os candidatos estão há mais de um ano na estrada, e por vezes desviam-se da linha pré-definida das suas estratégias. Mas nem por isso devem dar azo a estas controvérsias. Analisemos as palavras de Obama.
Ele disse que os americanos estão frustrados com os políticos de Washington e que viram a sua vida andar para trás nos anos de Clinton e Bush; que por não acreditarem nas soluções económicas dos políticos, começaram a virar-se para a religião; que por estarem frustradas começaram a fazer as suas opções políticas baseando-se em assuntos sociais como o direito ao uso de armas, os casamentos homossexuais ou por questões de fé. Acrescentou ainda que compreende que muitas pessoas tenham sentimentos anti-imigrantes e contra acordos de comércio livre, por estarem amarguradas e frustradas com a sua vida.
O “bittergate” pode ser problemático, porque encosta Barack Obama a um discurso muito à esquerda, que pode ser perfeitamente brilhante em San Francisco, Austin ou Nova Iorque, mas que na América profunda pode suscitar sérias dúvidas sobre o seu posicionamento político. Não é por acaso que nos últimos tempos os adversários republicanos tentam associar a candidatura de Obama aos sectores mais “liberais” do Partido Democrata.
O senador do Illinois preocupa imenso os estrategas republicanos pelo seu apelo sedutor ao seu eleitorado mais moderado. O charme da candidatura de Obama “assustou” imenso em Janeiro e Fevereiro, mas agora surgem sinais que pode ser mais favorável a John Mccain enfrentar Obama que Clinton. Não sejamos ingénuos e percebe-se perfeitamente que os republicanos estão a conseguir qualificar Obama como mais um candidato “liberal”, o que intimida uma parte da América. Em 1988, Michael Dukakis chegou a ser o candidato favorito, mas devido a alguns erros próprios, e a uma campanha negativa por parte dos republicanos, acabou por ser mais um George Mcgovern e foi facilmente derrotado por George H. Bush.
Obama precisa de recentrar o discurso, mas estes erros/polémicas/gaffes (Michelle disse que era a primeira vez que sentia orgulho em ser americana, o discurso racista de Jeremiah Wright, a recusa em usar o pin americano ou estes comentários) vão ser material para utilizar nos anúncios negativos dos republicanos, caso ele seja o nomeado. Disso não tenhamos dúvidas.
Claro que se formos analisar verdadeiramente estas situações, aos olhos de um estranho ao fenómeno político americano, não são perceptíveis os erros e até podem ser consideradas ridículas. Mas a política americana é feita, em parte, por estes pequenos fait-divers que conduzem o rumo das campanhas. E os políticos sabem, melhor que ninguém, que podem influenciar o resultado final das eleições. Quando ainda se discutia a questão da famosa visita à Bósnia de Hillary Clinton (não esquecer que foi o próprio Bill que reavivou essa questão), Obama oferece este brinde. Veremos o que se segue…
Publicado em Barack Obama, Candidatos Democratas, Polémica


































