Publicado por: Nuno Gouveia | Setembro 27, 2008

O Debate – Liveblogging

2h00 – O moderador Jim Lehrer, apresentador do Newshour, da PBS, já explica ao público as regras do debate. Segundo Bob Barnett, advogado que participou nas negociações, este será o debate mais “livre” de sempre.

2h05 – O debate começa com economia. Já era esperado. Obama inicia e Mccain fecha a noite. Uma boa altura para Obama fazer a ligação entre Mccain e Bush.

2h08 – Mccain fala em Ted Kennedy, que está hospitalizado. Começa bem! O discurso de Mccain é dirigido ao coração dos americanos. O tom foi correcto.

2h10 – Obama está ao ataque. E sempre no reforço da mensagem Mccain-Bush-Crise. Ele tem que fazer isso. Mas tem de conseguir ligar-se ao americano comum. E o seu tom parece mais professoral que outra coisa. Mccain parece interessado em falar directamente aos americanos, desligando-se do passado republicano.

2h14 – The fundamentals of the economy is strong. Obama voltou a criticar Mccain sobre esta frase, que me pareceu infeliz. Mccain reforça que os alicerces são os trabalhadores, e isso continua forte. Não sei se fará muito sentido para quem está a sentir a crise.

2h17 – Mccain assume o seu papel de maverick republicano e lança a primeira critica directa a Obama. A questão das earmarks, que são subsídios que o estado federal oferece aos estados, continua a ser um dos elos fracos dos democratas. Obama responde que já parou de pedir subsidios para o seu estado, e contra-ataca com os cortes de impostos que Mccain defende para os mais ricos e empresas. E mais uma vez, Mccain e Bush juntos. Mccain critica Obama por ter apenas suspendido os pedidos de subsídios depois de ter lançado a sua candidatura à presidência.

2h22 – A baixa de impostos é sempre um tema de campanha. Nenhum candidato diz que aumenta impostos, pois isso é muito impopular, mesmo entre os democratas. Mas tem de haver um equilíbrio. E quem convencer os americanos que o seu projecto é melhor para o bolso, tem meio caminho andado para vencer as eleições. A questão dos impostos costuma favorecer os republicanos, mas Obama já não fala como Dukakis ou Mondale. E isso é um ponto a seu favor.

2h23 – Obama já disse três vezes “John is right”. Não pode dizer isso muitas vezes, senão fazem-lhe um anúncio como Biden fez durante as primárias.

2h25 – Obama marca “pontos” quando ataca os cortes de impostos contra os ricos. Isto é popular em qualquer parte do mundo.

2h28 – Obama está mais seguro que no inicio do debate. Está mais confiante e assertivo. E está a falar com mais convicção que lhe vi nos debates das primárias. E sem hesitações.

2h30 – “Obama is has the most liberal record in the Senate“. Esta frase é um clássico de debates presidenciais. Os republicanos tentam sempre colar os candidatos democratas à esquerda. Quando não o conseguem, perdem as eleições.

2h31 – Outra vez. “John is right”.

2h32 – Obama recusa ser considerado o mais liberal. Até já trabalhou com Tom Coburn, um dos senadores republicanos mais conservadores. Ninguém quer ser liberal nos EUA…

2h34 – Obama introduz o Iraque pela primeira vez neste debate. Mccain fala na independência energética que os EUA precisam. Talvez comecem a debater a política externa. E já estava a estranhar. Mccain falou em Hillary Clinton.

2h38 – “Cut Spending” é uma frase que cai bem no eleitorado, democrata ou republicano. Mccain falou nisso diversas vezes. E acusa Obama de ter contribuído para o aumento da despesa federal. Mas quem tem governado os EUA foi o GOP. E Obama responde bem, ligando Mccain à Administração Bush, que aumentou a despesa federal. Mccain pela primeira vez neste debate afasta-se claramente de George W. Bush. Recorda os momentos em que esteve contra a Administração Bush, e refere pela primeira vez Sarah Palin.

2h43 – O Iraque entra na discussão. Mccain assume o sucesso da “surge” como seu. Fala sobre o Iraque como se a guerra estivesse já ganha, e aborda o futuro da região, com o Iraque como aliado dos Estados Unidos. Obama começa por falar nos fundamentos da guerra. E reafirma que sempre esteve contra a intervenção no Iraque, reforçando a importância do Afeganistão. Argumenta que a guerra do Iraque não valeu a pena, e que isso contribuiu para o enfraquecimento dos EUA. Mccain critica Obama por não ter apoiado a “surge“, e que ele não acreditava que pudesse ter sucesso.

2h46 – Obama está na defensiva (John is right novamente), o que poderia parecer impossível há uns meses. Mas a melhor defesa é o ataque, e Obama critica o “julgamento” de Mccain em 2003, quando foi a favor da guerra do Iraque. Mccain volta a falar das tropas e do patriotismo. Estas palavras “tocam” no eleitorado.

2h49 – Obama volta a falar do Afeganistão. A situação tem piorado no terreno, e Obama tem assente a sua estratégia na luta contra a Al-Qaeda. Mostra-se forte e critica os republicanos por não terem privilegiado a caça a Bin Laden.

2h50 – Mccain continua a falar na “surge“. Ele sabe que isso o favorece. Agora vai falar-se novamente do Afeganistão, e Obama está mais à vontade neste assunto.

2h54 – Obama volta a criticar a guerra do Iraque. E alerta que isso prejudicou a guerra contra o terrorismo no Afeganistão. Mccain fala neste tema. Aborda os erros do passado dos americanos, e tenta demonstrar que sabe do que está a falar. Sinceramente, nesta questão, não se nota diferenças entre os candidatos. Mccain fala muitas vezes do General David Petraeus. Um bom aliado!

2h56 – Obama reafirma que estaria pronto para intervir no Paquistão, sem autorização do país, para “caçar” Ossama Bin Laden. Isto deve entristecer muitos “aliados” europeus de Obama. Estou para ver o que John Mccain irá dizer sobre isto.

2h59 – Obama criticou o apoio dos Estados Unidos a Pervez Musharraff. Mccain defende que os EUA não tinham alternativa em apoiar o governo paquistanês, pois estavamos perante um país destruído. E fala no seu recorde de apoiar ou criticar intervenções americanas no estrangeiro. Mccain não abordou a possibilidade de perseguir terroristas dentro das fronteiras do Paquistão.

3h02 – As braceletes das mães de mortos em combate também entram neste debate. E Obama fala novamente na capacidade de agir correctamente. Obama marca pontos quando critica Mccain sobre a guerra do Iraque e Afeganistão. A percepção geral é que os EUA deixaram para trás o Afeganistão. Mccain diz que há lá esteve várias vezes, ao contrário do Senador Obama. E novamente, a “surge” e Petraeus na boca de Mccain.

3h03 – A ameaça do Irão. Ora aqui está um tema onde Israel vai entrar na discussão. Veremos quem é mais amigo de Israel. Será uma disputa complicada….

3h05 – Mccain fala na Liga das Democracias. Uma idea que vem directamente de Robert Kagan. E critica a Rússia e a sua influência nas Nações Unidas. Um discurso duro contra o Irão, outra coisa não seria de esperar.

3h09 – Obama diz que a política americana no Médio Oriente falhou, pois o Irão aumentou a sua influência na região (mais uma vez, John Mccain is right). Obama volta a criticar a politica americana em relação ao Irão, pois defende que deve haver negociações com o Irão. E abre o flanco a Mccain, que fala do encontro sem  pré-condições que Obama defendeu em tempos com Chavez, Castro e Ahmadinejad. Este assunto não é favorável a Obama. Mccain assume o poder da história, falando dos encontros do passado com Mao Tse Tung e com os líderes soviéticos, mas que tiveram negociações prévias.

3h13 – Obama refere Henry Kissinger para defender os seus encontros com os líderes inimigos. E defende que obviamente haveria negociações prévias para preparar estas reuniões. Obama critica Mccain por ter dito que não se encontraria com o Primeiro-Ministro Zapatero. Boa jogada.

3h15 – Mccain volta a falar dos encontros sem pré-condições. Mccain colocou Obama à defesa neste tema. Um mau momento para o candidato democrata.

3h18 – Rússia. Um tema quente até há uma semanas atrás. Obama começa a falar “alto” a Vladimir Putin. Obama irá continuar com o apoio da América à “Nova Europa”, especialmente os países que desejem entrar na Aliança Atlâtica. Mas alerta que o mundo não pode regressar ao tempo da guerra fria. Uma boa resposta.

3h22 – Mccain diz que não acredita que o mundo vai voltar aos tempos da guerra fria, mas lança a tirada populista que ao olhar para os olhos de Putin vê K-G-B. Mccain defende a Geórgia e os países que querem “fugir” da influência russa. Esta resposta também terá caído bem no eleitorado. Mccain consegue comunicar de forma eficaz sobre estes assuntos que estão em debate esta noite. E isso tem sido a sua força.

3h23 – Obama reafirma várias vezes que concorda com Senador Mccain. Já estou a prever um anúncio à Joe Biden.

3h28 – A última pergunta: terrorismo. Mccain acredita que os Estados Unidos estão mais seguros que no 11 de Setembro, a puxa dos galões do seu passado de maverick, contra o seu Partido. E dá vários exemplos em que esteve contra política de W. Bush. Os EUA estão mais seguros, mas é preciso continuar a actuar contra as ameaças.

3h31 – Obama acredita que alguma coisa foi feita para evitar novos ataques terroristas, mas que é preciso fazer muito mais. E volta a falar do Iraque, que tem sido um obstáculo à luta contra os terroristas. E finalmente falou na falta de respeito pelos Estados Unidos pelo mundo fora. Mas disse que Mccain esteve bem na luta contra a tortura. Era escusado elogiar o seu adversário. Mccain faz o que lhe compete. Critica Obama pelo seu plano de retirada do Iraque em 2006.

3h35 – Obama critica a resposta da Administração a Bin Laden, ao crescente poder da China e o aumento do populismo na América Latina. E isso porque estiveram focados no Iraque. Este é um argumento que faz sentido.  Mccain volta a reforçar a sua experiência em política externa, a sua maior força. E volta a criticar a Administração Bush no Iraque. Se alguma coisa Mccain conseguiu esta noite foi distanciar-se de George W. Bush.

3h37 – Obama fecha o debate numa mensagem de reconcialiação para o mundo. Mccain acaba por falar na sua experiência de POW, e no seu esforço de concialiação com o Vietname. Um bom desfecho. Mais tarde, farei a análise a este debate.


Responses

  1. (até agora).

    OBAMA.

    O melhor: o ataque a McCain (“You were wrong”) por causa da sua posição inicial no Iraque.

    O pior: “John is right”. Meu Deus…

    MCCAIN:

    O melhor: a insistência no maior controlo do investimento e dos gastos federais.

    O pior: estas histórias pessoais intermináveis, que pouco ou nada dizem.

    Um abraço!

  2. “A questão das earmarks, que são subsídios que o estado federal oferece aos estados, continua a ser um dos elos fracos dos democratas.”

    Penso que, tecnicamente, um earmark não é um subsidio do estado federal a um estado, mas uma despesas que o congresso obriga a ser feita de determinada maneira – isto é, o congresso aprovar uma lei e nessa lei dizer “X milhares de dólares devem ser gastos no projecto Y”, por oposição ao sistema orçamental clássico, em que o congresso atribui dinheiro a agências do governo, para elas determinarem como o gastar.

    Mas, na prática, talvez se torne mesmo algo parecido com “subsidios aos Estados”, já que penso que os congressistas tendam a usar os earmarks como formo de tentar fazer com que o dinheiro federal seja gasto em projectos no seu estado ou cidade.

  3. Obama está se saindo muito bem no debate, tranquilo, firme, sincero.

  4. Caro Miguel Madeira,

    Obrigado pela explicação. Dei a explicação que me pareceu mais correcta. Mas não tinha fundamentos técnico

  5. era este o debate onde era suposto McCain superiorizar-se como tudo a Obama? não vi nada disso.

    e se Obama disse n vezes que “John is right”, eu desafio a contar quantas vezes disse “Sen. Obama doesn’t understand”…

    conta o Costa Ribas na sic notícias que o Fact Checker mostra 10 imprecisões de McCain e 1 de Obama.

  6. sSera que toda a gente viu o mesmo debate? Obma vacilou, gaguejou, concordava com mccain- alias, do pior que vi de Obama. Mccain ganha, nao por ko, mas ganha

  7. Pelo mesno ficou bem claro para mim que Maccain busca o caminho da Guerra e Obama o na união

  8. a gaguejar vi o McCain quando pronunciou Ahmadinejad e quando chamou “Kardari” a “Zardari” – o novo primeiro ministro do Paquistão.

  9. O anúncio já apareceu, ao menos no Cachimbo, mas a conclusão é pobre… Obama não está pronto para governar porque concorda demasiadas vezes com McCain??? A dedução lógica disto é absurda…

  10. Achei o McCain bem melhor que Obama, que passou a idéia de que não tinha opinião própria e pegava carona nas do McCain. Obama perdeu…

  11. Parabéns pela excelente cobertura do debate.

  12. E acho que perderam os dois. Nenhum mostrou capacidade de energizar o eleitorado. Obama nota-se que está cansado (o que é natural para quem está em campanha há 1 ano) e McCain é muito fraco.

  13. Obrigado a todos pelos comentários

  14. Boa cobertura.
    Vamos algumas ilações que retiro.
    Nada de novo se passou, um agarrar os galões na politica externa e outro mais na politica interna.
    Foi (quase) tudo previsivel com algumas tiradas populistas interessantes.

    Tanto um como outro pode ser eleito.
    Sim os próximos debates serão decisivos…mas a análise que faço do povo americano continua inalterada, povo bastante manipulado e estúpido, a explicar:
    (segundo as sondagens)
    A maioria dos americanos ver as tropas em casa, quer ver melhor regulação na venda livre de armas(já viveram episódios caricatos nas suas escolas), muito mais e melhor regulação do mercado financeiro, a maioria defende a liberização do aborto, defendem também que o resto do mundo olhem para eles com amigos, entre outros temas…como é possível se a maioria defende tudo isso, quando o candidato reuplicano defende tudo o contrário??
    Um amigo meu deu-me uma razão que tlv tenha o seu sentido: “isso acontece porque os americanos são arrogantes, vaidosos, burros e…racistas!”
    Mas não vou muito por aí, creio que são palavras exageradas do meu estimado amigo, mas diria que os americanos ainda estão marcados pelo medo (adn recente), racismo e gananciosos (adn desde há muito)!

    Todos temos defeitos, pessoas povos.
    Todos diferentes, todos iguais.
    Acredito que o mundo vai mudar, inclusive os EUA, mas não acredito muito que os americanos venham mudar a sua mentalidade.

    A ver vamos.

    Voltando ao debate, se as noticias sobre economia americana continuarem a assaltar as TVs dos americanos, Obama deverá ganhar, se (espero bem que não, mas quem sabe) acontecer algum pequeno ou grande desastre de terrorismo que envolva os EUA, ganha o Mccain!

  15. Wallace,
    Obrigado pela sua análise.
    Abraço


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